terça-feira, 10 de maio de 2016

Exame Demissional

Eu cheguei, na clínica. Era por volta das 13:30. Todo mundo sabe que essas coisas demoram, uma eternidade. A empresa em que eu trabalhava, havia falido, então mandaram todo mundo embora antes. Aquela clinica me dava a sensação de ter a visto antes. Pedi informações no balcão a secretária mal-humorada Natalia. Com uma educação ríspida, gentilmente pediu para que eu sentasse e esperasse (Do tipo Xuxa, aham Claudia senta lá). Olhei para o garoto sentado que olhava minha tatuagem do gato de Chésur na perna. Ele era bonito, tinha um rosto cheio, corpo definido, cabelos negros e olhar penetrante. Estava de bermuda e tinha muitíssimos pelos na perna. Ainda no caminho até a clínica, decidi parar de me entediar, e comecei a jogar Candy Crush. Quem já jogou, sabe que a fase da gelatina é triste, e nela que eu me lasquei todo. Por uma balinha azul, quase não passo de fase. Me sentei e resolvi esperar a boa vontade da médica me atender. Do meu lado um homem de uns trinta anos, e do lado dele Lucas. Esse era seu nome, que fiquei sabendo por conta de uma amiga dele, que estava atrás de mim na fila, e quando o viu gritou seu nome. Ele se levantou, e ficou conversando com ela na porta até Natalia gentilmente mandar eles se sentarem. De vez em quando eu o olhava e ele me olhava também, mas continuava firme no jogo, maldito pirulito, que acabou na última jogada. A médica o chamou, e ele entrou. Subiu as escadas ainda olhando de rabo de olha pra mim. Eu continuei firme no jogo, e dessa vez estava disposto a passar de fase de uma vez por todas, continuei firme, concentrado. Passou-se uma meia hora e eu ainda não havia conseguido passar de fase. Lucas desceu as escadas, e passou por mim, ele hesitou quando passou bem na minha frente, meu campo de visão acusou isso, mas eu não queria demonstrar interesse por ele, eu queria mesmo era detonar a Jelly bean que estava travando minha fase. No fundo eu queria que ele viesse até mim, e pedisse meu telefone, pois eu jamais iria fazer isso. Acho que ele também não queria me atrapalhar, eu pude ver até sua mão se hesitar em me encostar, ela foi e parou no meio do caminho. Ele caminhou até a porta e saiu, mas vi que ele olhou pra trás, eu olhei bem nos olhos dele, e ele piscou pra mim. Depois fiquei pensando, eu poderia ter chamado ele, e pedido seu número, poderíamos ter marcado um encontro no cinema e durante o filme eu o beijaria. Depois marcaríamos outro encontro e assim começaríamos a namorar. Depois casaríamos e teríamos uma bela vida feliz, entre brigas discussões, mas ainda teria alguém para chamar de meu, tudo isso só não foi possível por causa de uma maldita Jelly Bean.

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